Cometas 2019 Destaque Reportagem

Prémios Cometas 2019

Os prémios mais longos e minuciosos da gastronomia portuguesa.

Os grandiosos prémios gastronómicos do Homem que Comia Tudo voltaram.

Este foi o ano em que senti, definitivamente, que se come melhor hoje em Portugal do que em muitos outros países europeus com pergaminhos culinários. Isto é evidente sobretudo em Lisboa.

Não é nacionalismo, nem é nenhum súbito talento da pessoa portuguesa para a culinária ou para a restauração. É só que a cidade está com dinheiro e há muita gente a circular por aqui e isso traz ideias e alento. 

Lisboa já tinha aprendido a copiar mas entretanto a cópia tornou-se melhor (e mais barata) do que muitos originais de Londres, Paris ou Berlim. Aproveitem, que isto acaba, como tudo aliás.

Houve também alguns cozinheiros que definiram um caminho regionalista interessante, sem grandes twists de chef, como foram os casos de Bertílio Gomes, do Albricoque, de Carlos Afonso e de Sérgio Frade, do Frade, e de Leopoldo Garcia Calhau, da Taberna do Calhau. 

Mas ainda falta um chef que meta todo o empenho e investimento na tarefa de fazer um restaurante moderno e ambicioso de cozinha regional portuguesa; ainda falta um Solar dos Presuntos actualizado, menos posh e menos vinha d’alhos, mas igualmente impecável no produto e no serviço. Alguma coisa temos de deixar para o futuro.

Foi também o ano em que o vinho de intervenção mínima ganhou peso na restauração indie, mas não só, algo impensável há meia-dúzia de anos. É certo que a euforia tem muito a ver com a moda, em grande medida ditada pelo Noma (esse farol sobranceiro), mas se servir para refrear o abuso de químicos nefastos na vinha e o sobre-processamento do vinho já foi bom.

De resto, o fine dining continuou a perder fulgor e energia, como escreveu há tempos o Duarte Calvão. A tendência não tem nada de trágico se entendermos por fine dining cozinha protocolar para agradar ao guia Michelin, com o gelzinho de toranja impecável e jus de 40 horas — que é o que normalmente é. 

Esse adormecimento decorre em grande medida de os chefs de topo andarem ocupados a fazer segundos restaurantes, mais acessíveis e rentáveis. Compreendo, as pessoas fartam-se de fazer sempre o mesmo, sobretudo se forem criativas; e as pessoas têm direito a querer ter dinheiro e com isso uma vida. Mas a verdade é que o cliente normalmente não ganha grande coisa e o cliente não é parvo. Qualquer dia não há segundos, nem primeiros.

Neste particular, honra seja feita a Pedro Pena Bastos, do entretanto falecido Ceia, onde tive este ano uma refeição praticamente perfeita em tudo, na surpresa, no ritmo, nos sabores.

Sobrevivem e proliferam, por seu lado, os filhos da nova bistronomie francesa. Feita de pratinhos para partilhar, é cozinha irreverente e sustentável, sazonal no produto e internacional na técnica. Neste particular, o Prado continua a iluminar o caminho e a ser a mesa mais consistente, mas já não está só.

Mas vamos lá aos Cometas, prémios primos em quinto grau das Estrelas, mas muito mais exigentes.

Melhor refeição de fine dining do ano

Ceia (Lisboa)

Melhor snack-bar do ano

CáteQuero (Vila Real de Santo António)

Restaurantezinho mais cool do ano com vinhos naturais

Senhor Uva (Lisboa). 

Melhor restaurante com um só cozinheiro do ano

Apego (Porto)

Melhor restaurante com um só empregado do ano

Apego (Porto)

Melhor prato de bacalhau assado do ano

Taberna Afonso (Poiares, Ponte de Lima)

Melhor amouse bouche do ano

Micro sonhos de cebola assada com mousse de ovas de bacalhau fumadas (Ceia, Lisboa)

Japonês com melhor relação preço-qualidade do ano

Tamawashi (Amadora)

Melhores noodles do ano

Soba cozinhada por japoneses a convite de André Magalhães.

Melhor restaurante mexicano do ano

Paco Bigotes (São Pedro do Estoril)

Melhor chu-toro do ano

Lucas Azevedo no Sakemico (Lisboa)

Melhores cocktails do ano

Royal Cocktail Club (Porto)

Melhor tártaro do ano

Tártaro de arouquesa (Rossio Gastrobar, Lisboa)

Restaurante de fine dining com a melhor relação preço-qualidade

Casa Davolta (Areia, Cascais)

Chef revelação do ano 

André Fernandes (Attla, Lisboa)

Melhor pasta italiana do ano

Ruvida (Lisboa)

Arroz mais cobiçado do ano

Ronaldo

Melhor balcão do ano

Restaurante Frade (Lisboa)

Melhores sardinhas de conserva do ano

Nuri em Azeite Picante (Pinhais & Co)

Melhor prato português do ano

Galinha cerejada (Taberna Albricoque, Lisboa)

Melhor ramen do ano 

Tonkotsu do Ajitama (Lisboa)

Melhor cachorrinho do ano

The Dog (Porto)

Loja de ramen mais cool do ano

Panda Cantina (Lisboa)

Melhor restaurante chinês do ano

Macau Dim Sum (Oeiras)

Melhor chef do ano

João Rodrigues (Feitoria, Lisboa)

Restaurante mais cool do ano com lareira

Fogo

Melhor restaurante coreano do ano

Han Table Barbecue (Lisboa)

Melhor sobremesa do ano

Pão de ló de alfarroba e gelado de noz (Fogo)

Melhor empregado/empregada do ano

Vera Rente (Casa Davolta)

Melhor restaurante de petiscos do ano

Sítio de Gente Feliz (Vila Fria, Oeiras)

6 comments on “Prémios Cometas 2019

  1. Gonçalo Praça

    Belo ranking! Acho que só falta uma coisa,neste ano em que deixámos definitivamente de ir a um único sítio para comer o melhor pão genérico e podemos ir buscar pão de trigo barbela à Massa Mãe ou Gleba; ou um brioche à Micro-padaria; ou um centeio alemão à Pão com Calma; ou à Isco, para trazer também uns rolinhos de cardamomo. Etc.

  2. Ola Ricardo,apenas por curiosidade, como chegou à conclusão do arroz mais cobiçado do Ano ser o Arroz Ronaldo?

  3. Catarina Silva

    Descobri este blog há pouco tempo, mas estou a adorar!! Parabéns.
    Posso só sugerir uma categoria para o próximo ano? “Melhor tesouro do antiquário”, para aqueles pratos maravilhosos, em restaurantes meio-desconhecidos mas já muito antigos.

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