Cometas 2017

Os 10 Melhores Novos Restaurantes de Lisboa – Cometas 2017

icons8-cometa-50 Está na hora de fazer o grandioso balanço inabalável de 2017 e premiar quem me fez feliz.

O método de avaliação usa a mesma contabilidade do guia vermelho dos pneus, mas com Cometas, corpos celestes furtivos que, ao contrário das estrelas, não estão sempre nos mesmos sítios.

Como sabem, os caminhos d’O Homem que Comia Tudo tanto podem ser becos acidentados e escondidos como avenidas opulentas e perfumadas. Não se renega nenhum destino nem ninguém, apenas se busca a autenticidade, a diferença instruída, a surpresa e a tradição.

Lembrar, ainda, que este foi o ano em que Lisboa se consolidou como capital europeia e que qualquer bosta com uma mesa e duas cadeiras conseguiu fazer dinheiro a vender comida. Abriu muita coisa dessas no eixo Alfama-Príncipe Real, pela mão quase sempre de rapaziada amadora com olho para o imobiliário, mas não se fala mais nisso. Lamenta-se e não se vai. E pronto.

Dito isto, apareceram também boas mesas e é exactamente por aí que se começa. Até ao final do ano sairão os premiados noutras categorias. Estejam atentos.

Os 10 Melhores Novos Restaurantes de Lisboa 2017

Midori 

Midori Cometa

O Midori já existe há muito tempo, mas transformou-se este ano num restaurante novo. Para mim, é outro restaurante. O chef manteve-se — Pedro Almeida —, mas mudou o espaço e mudou o conceito. Agora, está numa sala pequena e serve apenas pequenos pratos tradicionais kaiseki, todos de uma elegância absoluta. Ainda não levou a estrela do guia Michelin, mas leva já um Cometa d’O Homem que Comia Tudo.
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JNcQuoi 

Foi a grande abertura do ano, em termos de orçamento e de tudo. A família Amorim injectou uns milhões no projecto e associou-o à sua loja Fashion Clinic para criar aquilo a que o povo chama um “sítio da moda”. De início, ainda suspeitei de uma coisa à la Olivier, com actrizes decotadas a fazerem de isco para empreendedores ensebados, mas acabei rendido à seriedade da carta do chef António Bóia e ao sítio, uma sala magnífica colada ao Teatro Tivoli. Não faltam clássicos internacionais e portugueses, onde se incluem a paletinha de cabritinho e o bacalhau com crosta de broa de milho.
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Il Mercato

A mais recente casa do carismático restaurador nepalês Tanka Sapkota (Come Prima, Forno d’Oro, Casa Nepalesa) tem das melhores massas que se podem comer em Lisboa e produtos italianos de topo. Há mozarela e  burrata artesanais mas são as pastas que fazem a diferença. Se só puder comer um prato, não perca o tagiatele verde com camarão de Moçambique, espargos e um toque de conhaque.

Delidelux Avenida

Comi aqui pouco tempo antes do chef Luís Gaspar ganhar o concurso de Chefe Cozinheiro do Ano. E na verdade só depois soube que a carta do novo Delideluxe, junto à Avenida da Liberdade, tinha o seu dedo. Foi um almoço extraordinário. Luís Gaspar é chef da Sala de Corte, um sítio de carnes, mas prova aqui a sua versatilidade, ao ser responsável pelas melhores saladas de chef que comi este ano.

Boa Bao

Boa bao

De todos os restaurantes pan-asiáticos que abriram este ano em Lisboa — e foram alguns — o Boa Bao foi o mais interessante. Não que faça nada tão bem como se pode comer num verdadeiro vietnamita ou tailandês ou japonês ou chinês. Mas consegue ainda assim uma genuinidade acima da média e teve o dom de pôr a Lisboa mais sofisticada a achar que, afinal, sopa de wonton é fixe.

Tantura

A cozinha israelita é relativamente desvalorizada, talvez por razões ideológicas, talvez porque parte dela é árabe. Não tive qualquer problema com isso. Fica no esquecido Bairro Alto, e não esquecerei um almoço luminoso que lá fiz e que me atirou para o Médio Oriente. Extraordinário o hummus com beringela e ovos Benedict, muito bom o pão de cerveja e a shakshuka, um guisado de  pimentos e tomate, com um ovo escalfado no topo.

Chutnify

A ideia de haver finalmente um restaurante indiano sem o folclore barato do costume é fixe. E também é fixe que a comida seja mesmo picante e não uma versão amiga das papilas mimadas de jovens tugas armados em exóticos. O caril de borrego e os kebabs valem a viagem ao Príncipe Real.

O Watt

A EDP a patrocinar um restaurante de Kiko Martins não era à partida uma ideia que me deixasse entusiasmado. A EDP devia investir era em abater nas nossas contas de electricidade. E Kiko Martins já tem muitos restaurantes com que se coçar. Dito isto, comi lá muito bem, tudo bem feito, saboroso, a atirar para o Médio Oriente com um twist, e para o saudável de chef, sem recorrer aos clichés da healthy food.

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Prado

Fiz lá apenas uma refeição mas deu para ver que temos comida nova na cidade. António Galapito é um jovem de 27 anos que se tornou braço direito do chef Nuno Mendes, em Londres. Este ano decidiu estabelecer-se junto à Sé e quer fazer um restaurante com ética e comida boa. Isto traduz-se em legumes biológicos, vinhos naturais e pratos sazonais de uma simplicidade complexa, a preços razoáveis. Veremos como irá sobreviver ao turismo e à pressão da contabilidade. Para o ano, a continuar assim vai certamente ganhar um Cometa.

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Tapisco

O restaurante tem a filosofia culinária de Henrique Sá Pessoa e produção Multifood. É muito bonito, com um balcão comprido em pedra lioz, e serve tapas e petiscos, o que aqui não é a mesma coisa. Exemplos: croquetes de presunto ibérico, batatas bravas, salada de polvo, salada de ovas, ovos rotos, bacalhau à Braz, e por aí adiante. Se só puder provar uma coisa, escolha a Bomba de Lisboa, duas bolas de bilhar que escondem um empadão magnífico.

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4 comments on “Os 10 Melhores Novos Restaurantes de Lisboa – Cometas 2017

  1. Artur Hermenegildo

    Ora bolas, que não conheço nenhum.

  2. Pedro Lopes

    à la Olivier”

    Adoro essa descrição! Tudo em que ele se mete mete água e é só para show off). A sua postura “Fui o primeiro chef em Portugal a pôr os portugueses a comer….” leva-me a abominar os seus lugares. Felizmente a crítica não lhe dá cavaco.

    Uma questão: onde posso comer verdadeiros dumplings e ramen (tirando o DimSum?)

    Cumps
    Pedro Lopes

    • Caro Pedro, os meus restaurantes preferidos para dumplings são o Estoril Mandarim, o Macau Dim Sum (ex-Yumcha Garden, em Oeiras) e o Grande Palácio Hong Kong. Para ramen, tem o Bonsai, no último sábado de cada mês, por reserva, e o supper club Ajitama (encontra no Facebook). Ou pode sempre ir comer o ramen chinês (bem bom!) ao Martim Moniz (há um texto n’O Homem sobre ele). O resto, do que conheço, é fraquinho.

      • Pedro Lopes

        Obrigado Ricardo!

        Fiquei bem curioso pelo do texto que publicou recentemente.

        Muito obrigado!
        Cumps

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